Indicações rituais para “Corpus Christi”

A Solenidade de Corpus Christi (ou do Corpo de Deus, como maravilhosamente nomeiam os antigos) é uma das maiores e mais importantes solenidades da Liturgia. Passada a Quinta-feira Santa e o consequente Tempo Pascal, a Igreja adora novamente, com um rito próprio, o mistério eucarístico


Até 1264 não havia esta solenidade no ano litúrgico. Portanto, em visões à freira Juliana de Cornion, Cristo demonstrou a Liturgia a ela como se fosse uma lua, mas faltando uma parte em seu brilho, que era a ausência de uma festa proeminente eucarística. Isso nos faz pensar que Nosso Senhor importa-se com o que é feito na Liturgia, uma vez que se destina para o culto a Ele. Após as aparições à freira, a sua diocese belga, de Liége, instituiu a nível local a festa eucarística


Passados 20 anos, em Bolsena (Itália), durante a Missa celebrada por Pe. Pedro de Braga, da hóstia consagrada verteram gotas de sangue; o reverendo duvidara da presença eucarística. O Papa de então, Urbano IV, estava na cidade vizinha, Orvieto, ordenou que lhe trouxessem a hóstia miraculada. Quando a viu, vinda em procissão, exclamou: “Corpus Christi!”. Ele era do clero de Liège quando das visões de Irmã Cornion. Em 1264, ano de sua morte, o mesmo Papa estendeu à toda a Igreja a festa eucarística da diocese de Liège, pedida por Cristo e como memorial do milagre de Bolsena. São Tomás de Aquino compôs textos para os ritos litúrgicos, depois de também outros teólogos apresentarem suas versões. Somente em 1274 começou o costume de fazer a procissão expondo a hóstia consagrada numa custódia (ostensório).
Indicações rituais
A preparar:
— Casula e estola para a Missa e pluvial e véu umeral para a procissão (brancos, dourados ou prateados)
— Evangeliário sobre o altar (se não houver Diácono ou Concelebrantes)
— Ostensório
— 2 hóstias para serem consagradas (Cerimonial dos Bispos, n. 388)
— 2 turíbulos, conservando o segundo para a procissão e o principal para a Missa e a exposição eucarística (Cerimonial dos Bispos, n. 388)
— Pálio para a procissão, que serve que tenda móvel e não a insígnia arquiepiscopal
— Altares ornados com o necessário para a adoração e bênção eucarísticas durante a procissão
— Tudo quanto é necessário para uma Missa solene, tanto conforme se o Celebrante for um Presbítero, quanto se ele for um Bispo
O rito:
01. A Liturgia da Palavra possui uma Sequência própria, a ser cantada por todos, ainda sentados, antes da proclamação Evangelho.
02. A Missa segue o rito comum até o fim da Comunhão: mantendo o corporal sobre o altar, enquanto purifica os vasos, o Celebrante (ou o Diácono) toma a segunda hóstia que foi consagrada e não foi consumida e a expõe no ostensório. Esta exposição solene não permite trono para estar sob o ostensório, mas deve ser feita imediatamente sobre o altar e o corporal.
03. Todos que passarem diante da exposição solene, após a Comunhão, fazem genuflexão.
04. Rezada a Oração Depois da Comunhão, o Celebrante retira sua casula (e a estola, se for diferente daquela do pluvial) e veste o pluvial, também chamado de capa De Asperges. Concelebrantes também podem vestir pluvial, mas Diáconos mantêm-se paramentados com suas dalmáticas.

05. O Celebrante dirige-se para a frente do altar, enquanto os ministros lhe levantam as extremidades do pluvial. Fazem genuflexão e, de pé, o Celebrante impõe incenso nos dois turíbulos e volta a ajoelhar-se. É-lhe dado o primeiro turíbulo e com ele incensa o Santíssimo. Fazem-se alguns instantes de adoração silenciosa.
06. Enquanto isso, o crucífero inicia a procissão, ladeado por dois ceroferários, com as velas.
07. O Celebrante recebe o véu umeral e toma nas mãos o ostensório, cobrindo-lhe a base. Os turiferários vão à sua frente. Ao seu lado avançam os ceroferários, com as velas. O Celebrante situa-se abaixo do pálio, sustentado por fiéis dignamente vestidos. Todos os outros carregam velas acesas.
08. Se no trajeto acontecer bênção eucarística, o ostensório é posto sobre o altar propositalmente preparado, sem exagero em imagens (exceto as de anjos), mas com flores e velas no maior número possível. O Celebrante incensa o Santíssimo, enquanto todos cantam o Tão sublime. A seguir, ele recita o versículo Do céu, ao que todos respondem Que contém, e ajunta a oração Senhor, que neste admirável Sacramento. O Celebrante toma nas mãos de novo o ostensório, traça a bênção em forma de cruz grega, enquanto todos estão em silêncio, e, depois, continuam a procissão.
09. Pode haver bênção à porta da igreja, sempre observando-se o mesmo rito. As aclamações Bendito seja Deus e a Oração pela Igreja, pelo Clero e pela Pátria (Deus e Senhor nosso, protegei a Vossa Igreja) também podem ser feitas.
10. Ao fim de tudo, despede-se o povo como no fim da Missa e recolhe-se o Santíssimo Sacramento no sacrário.

Via-Direto da Sacristia

MISSA PELOS 18 ANOS DE VIDA SACERDOTAL DO Pe. VALDEMAR












Homilia pelos meus 18 anos de sacerdócio

É belo ser Sacerdote? – É tão belo, mas tão belo, que São João Maria Vianney, padroeiro universal dos Sacerdotes, escreveu:  “Se o Sacerdote descobrisse a beleza e a grandeza do que ele é, não iria conseguir sobreviver”. E dizia ainda: “ O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o Padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.” E como nós não descobrimos ainda, somos mais de 415 mil Sacerdotes no mundo, mais de 22 mil no Brasil, que continuamos a chamar, por ordem do Senhor, mais operários para a messe!
A beleza e a realidade de sermos outros Cristos no meio do mundo, fazendo o mesmo que Ele fazia e faz, nos impulsiona e nos motiva a viver cada dia o mesmo e único Sacerdócio de Jesus.
Quando, na hora da consagração, na Missa, torno presente as palavras de Jesus, tremo em pensar ao dizer: “ Isto é o meu Corpo. Isto é o meu Sangue”. Ele se faz um comigo e eu me faço um com Ele! Não por meus méritos e nem pelo mérito de todos os sacerdotes do mundo, mas por vontade exclusiva e salvífica DELE.
A beleza consiste na grandeza do Deus Amoroso que escolhe homens, frágeis, pecadores, para continuar a presença de Seu Filho no mundo. Poderia ter escolhido anjos, que não pecaram e não pecam, mas estes não saberiam entender a miséria humana. Escolhe homens, frágeis, repito, para entender e perdoar, em nome do Amor Misericordioso, todos os que o buscam.
Quando vejo o povo, principalmente os mais idosos e doentes, beijar as mãos do padre, com emoção eu penso: “ pode ser que sejam as únicas mãos que eles podem ainda beijar”. E beijam não as mãos de um homem, mas as mãos do homem que se faz Jesus para eles.
Vale à pena continuar? – Claro que sim! Sempre! – Outros Cristos na terra.

Continuemos a rezar por todos os nossos Sacerdotes, principalmente por aqueles que são mais frágeis, vasos de barro quase se quebrando ou já quebrados, para que a Divina Misericórdia os auxilie e sejam realmente aquilo para o qual foram chamados: “ Sacerdotes para sempre!”
Pe. Francisco Valdemar Coelho Domingos
Pároco
 Ferreiros, 19 de outubro de 2014.