Lógica do amor de Deus: Usar coisas terrenas sem egoísmo nem sede de domínio, recorda Bento XVI


Ao presidir este meio-dia a oração do Ângelus dominical (hora local) no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, o Papa Bento XVI explicou, a partir do Evangelho de hoje, que o cristão deve viver de acordo à lógica de Deus, que é a lógica do amor que convida a usar as coisas sem egoísmo e sem "sede de domínio", vivendo a esperança e a vigilância ante a vinda do Senhor.

O Santo Padre assinalou que o Evangelho de hoje "Jesus continua com os seus discípulos o discurso sobre o valor da pessoa aos olhos de Deus e sobre a inutilidade das preocupações terrenas. Não se trata de um incentivo ao desempenho, pelo contrário, ouvindo o convite de Jesus 'Não tenhais medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino', o nosso coração é aberto por uma esperança que ilumina e anima a existência concreta: temos a certeza de que o Evangelho é uma comunicação que produz fatos e muda a vida".

"A porta escura do tempo, do futuro, foi totalmente aberta. quem tem esperança vive de maneira diferente, pois lhe foi dada uma vida nova", disse o Papa.

"Como lemos na liturgia deste domingo, na carta aos hebreus, Abraham ingressa com o coração confiante na esperança que Deus lhe abre: a promessa de uma terra e de uma descendência numerosa e parte sem saber aonde ir, confiando só em Deus".

Bento XVI explicou logo que "No Evangelho de hoje, Jesus – através das três parábolas - ilustra como a expectativa da plenitude da beata esperança, a sua vinda, deve incentivar ainda mais a uma vida intensa, rica de boas obras: 'Vendam os seus bens e dêem o dinheiro em esmola. Façam bolsas que não envelhecem, um tesouro que não perde o seu valor no céu: lá o ladrão não chega, nem a traça rói'. É um convite a usar as coisas sem egoísmo, sede de poder ou domínio, mas segundo a lógica de Deus, a lógica da atenção ao outro, a lógica do amor".

Seguidamente Bento XVI recordou alguns santos a quem pôs como exemplo desta maneira de viver a vida com esperança e vigilância: São Domingos de Gusmão, fundador no século XIII da Ordem Dominicana, que desempenha a missão de educar a sociedade sobre a verdade de fé, preparando-se ao estudo e à oração. O Papa lembrou também que no próximo dia 10, a Igreja celebra o santo diácono Lourenço, mártir do III século; Santa Clara de Assis, no dia 11, que prosseguindo a obra franciscana, fundou a Ordem das Clarissas.

Também se referiu a Santa Teresa Benedita da Cruz, Edith Stein, e a São Maximiliano Kolbe, que se entregaram a Deus durante o complicado tempo da Segunda guerra mundial, "sem perder nunca de vista a esperança, o Deus da vida e o amor".

O Santo Padre convidou os peregrinos presentes em Castel Gandolfo a serem fiéis ao mandamento do amor, em comunhão com o Corpo de Cristo que é a Igreja. O Papa lembrou que a vigilância são as características fundamentais da vida cristã, aberta à eternidade.
"Que a participação freqüente da Eucaristia em que Cristo vem a cada dia ao nosso encontro, os ajude a intensificar a fé, a esperança e a caridade" – concluiu o pontífice.

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