Voto cristão: qual o seu compromisso na frente da urna?


São 13 teclas com poder de transformar o futuro do Brasil. É a partir da combinação dos números que o eleitor digitar na urna eletrônica que a nação começa a ganhar seus contornos.

Quais critérios o cristão deve levar em consideração na hora do voto? A redação do noticias.cancaonova.com recebeu artigos de alguns bispos brasileiros nos últimos dias que oferecem uma série de pressupostos que podem ajudar na escolha dos candidatos.

"No que toca à sua missão, não compete à Igreja, essencialmente, sugerir uma opção partidária determinada. Mas sim conclamar todos os seus leigos, cuja vocação é exatamente a de santificar a realidade temporal, para que cada um assuma suas responsabilidades com empenho e coerência", adverte o Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro (RJ), Cardeal Dom Eugenio Sales.

Já o Arcebispo de Belo Horizonte (MG), Dom Walmor Oliveira, acrescenta: "A Igreja não faz política partidária, essa tem sua incontestável e necessária importância. Ela não pode correr o risco de perder rumos, declinando em direções antidemocráticas e autoritárias. [...] Os critérios éticos discursados em documentos e cartilhas, debates e reflexões na Igreja Católica têm força na ideia que clareia realidades, nomes e permitem discernir o melhor para a sociedade".

O Arcebispo de São Paulo (SP), Cardeal Dom Odilo Scherer, também oferece sua contribuição: "Votar bem é importante para o Brasil; deixando agora de fazer as escolhas certas, poderíamos estar colaborando para que o País seja governado mal, leis desajeitadas e até injustas sejam aprovadas, a riqueza nacional seja mal administrada, ou desviada de sua legítima destinação, e o sofrimento de muitos brasileiros se prolongue por mais tempo".

"A pátria será aquela que desejamos com o nosso voto", explica o Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), Dom Orani Tempesta. "Quem não tem o coração disponível para Deus e para os princípios de sua Palavra, não é apto para representar autenticamente a população. Os seus objetivos, com facilidade, se tornam reducionistas, servindo a si mesmo e a seu grupo de interesse", agrega o Bispo de São José do Rio Preto (SP), Dom Paulo Mendes Peixoto.

O Bispo de Jales (SP), Dom Demétrio Valentini, acredita que a campanha não ajudou a trazer luzes de compreensão sobre a realidade brasileira concreta. "Cabe a nós fazer uma análise ponderada, com a lucidez de nosso bom senso, e conferir o que está no bom caminho, e o que seria possível melhorar. E então, com nosso voto sinalizar em quem depositamos nossa confiança para garantir que nossas expectativas possam, minimamente, se cumprir", indica.

Critérios e reforma

Todos os prelados indicam alguns pontos básicos que deveriam orientar o voto cristão, bem como a necessidade de uma reforma política que ajude a reordenar as práticas e exercícios da realidade eleitoral.

"O nosso voto deve ser mais ético. Mas o que entendemos com isto? Ele deve expressar, de forma esclarecida e consciente, a nossa cidadania, superando os desencantos com a política, elegendo pessoas comprometidas com o respeito à vida, à família e à dignidade humana", diz Dom Paulo Peixoto.

"A defesa da dignidade da Pessoa humana e da Vida em todas as fases e manifestações, defesa da família segundo o plano de Deus, liberdade de Educação e liberdade religiosa no ensino, a solidariedade com particular atenção aos pobres e excluídos, o respeito à subsidiariedade e o compromisso na construção de uma cultura da paz em todos os níveis", salienta Dom Orani Tempesta.

O Cardeal Dom Odilo Scherer ressalta que "a sociedade que descuida da família destrói suas próprias bases. Que projetos construtivos os candidatos e partidos têm para a família? Os eleitores podem contribuir para que o Poder Público promova o casamento e a família bem constituída, ou também para a dissolução cada vez maior dela. Também a religião pertence à identidade de um povo e não deve deixar de merecer a atenção a postura de partidos e candidatos sobre a liberdade religiosa e de consciência, o respeito pelas convicções, símbolos e instituições religiosas dos cidadãos e a livre manifestação de sua fé".

Dom Walmor Oliveira defende que "o ato de votar precisa ser precedido de um exercício cidadão de aplicação de critérios para ajuizar valoração quanto aos nomes que estão se oferecendo para serem sufragados nas eleições deste ano".

"As eleições devem marcar o rumo que desejamos imprimir na sociedade.", finaliza Dom Orani.

fonte:cançãonova.com

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