Santo Arsênio


A importância de Santo Arsênio na história da Igreja se prende também à importância da época em que nasceu e viveu. Foi um dos mais conhecidos eremitas do Egito, chegando a ser considerado um dos primeiros pais do deserto. 

O mundo católico também passava por transformações. Se nos séculos anteriores o martírio – a morte em favor dos ensinamentos de Jesus – era a forma mais reconhecida de se doar pelo próximo, a partir do século IV a morte em vida passou a ser o sacrifício mais exemplar. Não foram poucos os que morriam para o mundo e se enclausuravam para penitenciar-se como forma de servir a Deus. 

São Arsênio viveu entre o final daquele século e o século V e seu refúgio era dos mais visitados por cristãos que buscavam nos eremitas conselhos e paz para as aflições da alma, mesmo que para isso tivessem que fazer longas e cansativas peregrinações.

Arsênio nasceu em Roma e conta a tradição que foi ordenado sacerdote pessoalmente pelo papa Dâmaso. Em 383 o próprio imperador Teodósio o convidou a ficar em Constantinopla para cuidar da educação de seus filhos Arcádio e Honório. O santo ali permaneceu por onze anos. Enfim, conseguiu a exoneração do cargo e retirou-se para o deserto egípcio.

Conta também a tradição que ele não gostava muito de interromper seu exílio voluntário para atender aos que o procuravam. Mas, para não usufruir do egoísmo da solidão total, juntou-se aos eremitas de Scete. A vida parcialmente comunitária entre iguais era uma forma de não se isolar totalmente dos demais seres humanos. 

Mas o paraíso daqueles religiosos teve fim com a invasão de uma tribo das redondezas. Santo Arsênio teria então abandonado o local, terminando por morrer em Troc, perto de Menfis, entre os anos 434 e 450. 

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