Anúncio de Bento XVI deixa mundo católico perplexo


O Papa Bento XVI deixou o mundo inteiro perplexo, ao anunciar, na manhã desta segunda-feira de Carnaval (11), que decidiu renunciar ao cargo de Pontífice. O seu pontificado deve acabar no dia 28 deste mês, quando a Sé fica vacante, e os cardeais se reúnem mais uma vez para a eleição de um novo Papa.
Bento XVI apresenta renúncia
A renúncia de um Papa, embora prevista no Código de Direito Canônico (“Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie ao cargo, para a validade requer-se que a renúncia seja feita livremente, e devidamente manifestada, mas não que seja aceite por alguém” – cân. 332, § 2), não é uma atitude muito comum. A prova é que o último Papa a renunciar foi Gregório XII, em plena Idade Média. Na ocasião, a Igreja vivia o episódio conhecido como o Grande Cisma do Ocidente, que começaria com o exílio dos Papas em Avignon, na França; culminaria na ascensão de uma “infame tríade”, quando permaneceram na Igreja três personagens se declarando papas; até que, enfim, o Espírito Santo, por meio do papa Martinho V, colocasse fim ao cisma.
Embora tenha pegado todos de surpresa, Bento XVI já tinha falado da possibilidade de renunciar. Questionado pelo jornalista Peter Seewald, em 2010, afirmou:
“Quando um Papa chega à clara consciência de já não se encontrar em condições físicas, mentais e espirituais de exercer o encargo que lhe foi confiado, então tem o direito – e, em algumas circunstâncias, também o dever – de pedir demissão.”
(“Luz do Mundo: o Papa, a Igreja e os sinais dos tempos”. São Paulo: Paulinas, 2011. p. 48)
O Papa decidiu, então, exercer este direito. “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino”, afirmou, em declaração que circulou a Internet. Bento XVI já estava meditando há muito sua renúncia. Os dois consistórios do ano passado talvez já fossem uma pista de que Sua Santidade viria a abdicar o trono.
Este, leitor, é um daqueles momentos em que não somos capazes de dizer muita coisa. A decisão de Bento XVI deixa toda uma geração triste, e sentimo-nos, em certo sentido, órfãos. Cremos que a atitude do Papa talvez seja mesmo a melhor para a Igreja, no momento; mas somos tentados a vacilar, a desesperar, porque este verdadeiramente foi um bom bispo de Roma. Trabalhou com coragem para destruir a Teologia da Libertação, para trazer o latim de volta à Liturgia – o latim que, embora nunca abolido, remanescia esquecido nas empoeiradas gavetas pré-conciliares -, para dialogar com as alas mais tradicionalistas da Igreja… para preservar e guardar a Fé.
Fica a certeza de que, assim como São Paulo, Bento lutou “o bom combate”. Resta-nos, agora, rezar, a fim de que o Senhor abençoe este fim de pontificado e o conclave que se aproxima.

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